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​Não é novidade por aqui o quanto eu gosto de escrever. Desde o início da página e do nosso site, cada álbum de fotos vem recheado de escrita. Palavras que saem soltas, às vezes bobas, às vezes cheias de sentimento ou simples coisas da vida que me vem na cabeça.
Alguns dias eu levava mais tempo até saber quais palavras usar, outros já as tinha na ponta da língua​. Mas a verdade é que sempre consegui me expressar melhor escrevendo do que falando sobre…
Desde criança eu sempre fui muito tímida, se algum estranho puxasse papo comigo só faltava começar a correr pra me esconder em algum lugar, que desespero!
Até que, quando comecei a trabalhar, a timidez foi sendo trabalhada em mim. Mas foi quando começamos com a fotografia que tudo desenrolou, porque eu não tinha alternativa. Mas sorte a minha, tenho o Djoni pra quebrar o primeiro gelo 🙂
Quando chegamos aqui na Irlanda começou tudo de novo. Virei uma criança tentando me comunicar com as poucas palavras que eu sabia. Pra mim, uma baita barreira! Como conversar com alguém sem entender uma frase completa do que essa pessoa diz? Como conseguir me expressar então, sem vocabulário? Como quebrar o gelo quando o que vemos na nossa frente é um iceberg gigante? Então eu simplesmente omiti.
Eu não sei se vocês notaram, mas escrever aqui deixou de ser um hábito. As vezes que me dediquei a escrever para postar algumas fotos, foram dias que acordei e ví aquela luz divina na janela, via nuvens de algodão no céu, arco-íris e unicórnios escorregando sobre eles. E não! Eu não uso drogas! Só me refiro àqueles dias que exalamos inspiração, que não precisamos fazer muita força pra nada porque o mundo parece cor-de-rosa. E se não fosse mais um dia assim, eu simplesmente omitia.
Então começamos a ter alguns seguidores de outras nacionalidades e queríamos nos comunicar também com eles, achei que seria interessante termos os textos nas duas versões, inglês e português. Então mais ainda, fiquei muda. A coisa toda não aconteceu mais naturalmente, como sempre foi.
Entendam que o Djoni chegou aqui e saiu falando inglês pelos cotovelos. De onde? Ele não sabe. Quem dirá eu? E então ele com a sua paciência gigantesca, quase do tamanho de uma lasca de unha, tinha que me ajudar. E eu com a perseverança de um peixe que morre dentro do mar por falta de ar, imaginando que se respirar pode entrar água no meu nariz, acabei boiando.
Parece uma história bem triste, mas na verdade não foi não, é só porque eu sei ser bem dramática quando eu quero. rsrsrs
Inclusive tudo isso vira motivo de piada aqui em casa, não me resta muito a não ser rir das atrocidades que faço com o inglês. Logo eu, que nunca tive grandes problemas com o português!
Mas o que não faz o menor sentido, acabou acontecendo pra mim: Fiz novas amizades sem falar praticamente nada, acabei aprendendo a usar a linguagem corporal, sorrir mais, ouvir com mais dedicação o que outras pessoas tem pra contar, olhar mais no olho, a ser mais paciente na dificuldade do outro e mais humilde com as minhas próprias fraquezas.
Já o Djoni, que não era de falar muito no Brasil, aqui tá soltando o verbo por ele mesmo e por mim junto, conversando com quem pára pra nos pedir informação só pela simples curiosidade de saber de onde a pessoa vem e para onde vai, também tem a parte da pequena vingança por poder me corrigir quando falo algo errado, parecido com o que fazia com ele de vez em quando no Brasil, mas ok,<# não me importo. Do mesmo ele tem só mais alguns dias pra se divertir às minhas custas…
A verdade é que hoje acordei vendo a tal da luz divina na janela, nuvens de algodão no céu, ainda não cheguei na parte do arco-íris e unicórnios, mas vou me virando sem eles.

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